domingo, 16 de novembro de 2014

Entidades questionam eficácia de insulina distribuída pelo SUS e cobram mudança

Está rolando um abaixo assinado para Insulinas melhores para crianças e adolescentes com diabetes do Brasil e o Blog João Pedro e o Diabetes apoia totalmente, pois se meu filho tem acesso as insulinas melhores porque não todas as crianças terem esse direito, sou dessa linha todos tem direito ao tratamento mais adequado. 

Então vamos dar uma forcinha clicar no link, assinar e espalhar, um futuro sem sequelas depende de todos nós!


Assista ao vídeo do ator José Loreto, portador de diabetes tipo 1 solicitando assinaturas para o Brasil mudar de cara, vamos lá genteeee!!!

Para assistir clique aqui!

Saiba mais lendo o texto que saiu no Saúde IG

Fonte: Saúde IG

No Brasil existem cerca de 12 milhões de diabéticos: 10% deles ou 1,2 milhão, têm diabetes tipo 1, conhecida também por infanto-juvenil. O número ainda diminui quando filtra-se apenas crianças e adolescentes de até 19 anos. Talvez metade desse número sejam os insulino-dependentes com até 19 anos.
As crianças, no entanto, têm dificuldade de identificar os sintomas de hipoglicemia, enquanto os hormônios dos adolescentes fazem com que tudo fique irregular. E a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD) e Federação Nacional do Diabetes (FENAD) lutam, juntas, por meio também de um abaixo-assinado ao Ministério da Saúde (linkaqui), para que uma insulina que previne esses problemas seja disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Não é uma luta nossa, é uma luta para os pacientes”, explica Karla Melo, coordenadora do Departamento de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Para entender melhor, o diabético precisa usar dois tipos de insulina diariamente. A basal, de ação lenta, e outra de ação rápida, que deve ser usada quando a pessoa vai se alimentar. É essa de ação rápida que as sociedades pleiteiam.
A razão? Os carboidratos ingeridos por meio da comida se transformam em açúcar dentro de uma ou duas horas, período em que caem no sangue e o “adoçam”. Mas o sangue não pode ficar “doce” e, como os diabéticos não têm um pâncreas que fabrica o hormônio que tira esse açúcar do sangue, é necessário que uma insulina externa faça essa ação.
A questão é que essa insulina que será aplicada precisa ser ágil, fazer seu trabalho e se retirar rapidamente, passando a bola para a insulina basal, que é constante. Mas não é bem isso que a insulina regular (que usa-se para tirar o açúcar do sangue depois das refeições), distribuída pelo SUS, faz.
Karla explica que a insulina hoje disponível para a saúde pública tem seu pico de ação e dura cerca de seis a oito horas no organismo. A que eles buscam implementar dura no máximo três ou quatro horas. E essa duração menor é ótima, é assim que tem de ser, já que essa insulina deve agir exclusivamente para anular os carboidratos ingeridos nas refeições.
“Se uma pessoa janta às 20h, a insulina de ação rápida deve ter seu pico de ação imediatamente e depois deixar que a insulina basal faça o seu trabalho. Se a de ação rápida continuar agindo muito tempo, vai dar hipoglicemia”, explica a médica. Além disso, a insulina disponível hoje no SUS demora para começar a agir, o que obriga o paciente a aplicá-la 45 minutos antes da refeição.
Ter de planejar exatamente o que se vai comer com 45 minutos de antecedência não é tão fácil. É preciso calcular quantas colheres de arroz, feijão, macarrão, ou outros alimentos e aplicar a quantidade de insulina capaz de anular tudo o que será ingerido 45 minutos antes de comer. Mas e se algo der errado e o apetite fugir? E se na hora do almoço a vontade de comer mais for irresistível? E se a criança de três anos se recusou a comer a quantidade que a mãe havia planejado para ela? O remédio vai demorar cerca de 45 minutos para começar a agir e, nesse meio tempo, a glicemia estará altíssima, causando os picos de hiperglicemia.
E é a partir desse descontrole que acontecem as complicações causadas pelo diabetes, a longo prazo. Muito açúcar no sangue leva a problemas nos rins, na visão, no sistema vascular, além de outros.
Já a insulina análoga de ação realmente rápida pleiteada pelas sociedades ligadas ao diabetes começa agir rapidamente, e deve ser aplicada já à mesa, pouco antes de começar a refeição. Ou, no caso dos bebês e crianças, assim que terminar de comer, pois assim sabe-se exatamente a quantidade de remédio será necessária.
Segundo os cálculos de gastos das sociedades envolvidas na petição, o governo gastaria R$ 136 milhões no quinto ano da incorporação das novas insulinas. Como haveria uma evolução no número de beneficiários atingidos pelo programa, a tendência é que nos primeiros anos gaste-se menos, chegando, no quinto ano, ao valor máximo de R$ 136 milhões.  “Não estamos pedindo insulina basal análoga agora, que se gastaria mais. Estamos pedindo a de ação rápida”, explica ela.
O Ministério da Saúde afirma, em nota, que em 2014 gastou R$ 263,3 milhões com todos os medicamentos para tratamento do diabetes distribuídos gratuitamente.
Há três tipos de insulina que eles sugerem que o governo escolha alguma delas e implante: aspart, glulisina, lispro. Todas elas agem da mesma forma. "Colocamos em ordem alfabética porque não temos preferência específica entre elas", diz Karla.
Os resultados dos exames de hemoglobina glicada, explica a endocrinologista, considerado o mais importante teste para demonstrar a média da glicemia ao longo de três meses, pode ter interferido nos resultados sobre o controle glicêmico. Naturalmente, se há picos de hiperglicemia e hipoglicemia, a média será normal. Só que, nesses picos de hiperglicemia, os rins, olhos e outros membros são lesados. Nos picos de hipoglicemia, o cérebro não recebe seu alimento – o açúcar – e a pessoa perde os sentidos e pode entrar em coma.
Denise Ludovico, endocrinologista da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) explica que o impacto na economia também deve ser pensado a longo prazo. “Diminui-se o gasto com internação e tratamento de pacientes por causa das complicações, que pode ser desde retinopatia diabética até amputação de pés e membros”, defende. “Gasta-se agora para evitar gastar depois”. A qualidade de vida entra em cena.
É importante ressaltar, no entanto, que a insulina disponível hoje no SUS salva vidas. Embora haja melhores, muitas vidas dependem dela. Karla questiona que, se já existem outros tipos mais eficazes no mercado – que fornece qualidade de vida aos pacientes – e se o valor cabe no orçamento do governo, não há razão para continuar fornecendo a antiga.
Em nota, o Ministério da Saúde informa que as insulinas regular e NPH têm qualidade, segurança e eficácia comprovada, "não havendo nenhum estudo que aponte que as insulinas análogas são melhores ou superiores as já ofertadas, que melhorem a sobrevida dos pacientes ou reduzam complicações. Além disso, por ser um produto mais recente, encontra-se sob vigilância de pós-comercialização, não tendo segurança de longo prazo comprovada".
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), junto com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD) e Federação Nacional do Diabetes (FENAD) discordam.
Em nota no abaixo-assinado, as sociedades e associações se colocam à disposição para auxiliar na análise dos efeitos da incorporação da nova insulina "sobre a saúde e qualidade de vida das pessoas com diabetes, seus aspectos farmacoeconômicos e no desenvolvimento de estratégias para melhorar a saúde de pessoas com diabetes em nosso país".

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