sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ana Beatriz, Alice e a Rede Social

Dando sequência ao post de semana passada sobre a integração entre diabetes e redes sociais.. a opinião de hoje é da super figura Ana Beatriz Linardi, mãe da Alice!

Quando Alice, então com 5 anos, foi diagnosticada com diabetes, creio que não foi muito diferente de todos os outros pais que recebem a notícia. No primeiro momento, ficamos sem chão, principalmente se for uma família como a nossa, sem nenhum caso anterior de diabetes. A sensação é de que fomos atropelados por um trem e ficamos atordoados com a responsabilidade que subitamente vem para as nossas mãos, responsabilidade essa que nem sempre pode ser repartida ou compartilhada com outros membros da família. Diante desse quadro, para mim, pessoalmente, o sentimento de solidão no início, foi intenso. Eu não estava totalmente segura para o que vinha pela frente e as dúvidas eram imensas não só no plano prático, como psicológico.

Nesse sentido, as redes sociais foram extremamente eficazes. Não apenas pude e posso compartilhar o conhecimento específico de diabetes, sanar dúvidas, trocar ideias com outras pessoas na mesma situação, conhecer outras mães que, como eu, têm que driblar esquemas escolares, bolar estratégias para viagens, etc., como também criei vínculos de amizade que ultrapassaram o virtual.

Desde o início não faltou apoio de pessoas que entendiam o momento pelo qual Alice passávamos, pessoas que estavam dispostas a compartilhar suas experiências. Aprendi muito mais sobre a bomba de insulina conversando com usuários, por exemplo, do que com a própria empresa. Pessoas experientes, há tempos no cotidiano dos cuidados com o diabetes nos forneceram não apenas informações preciosas, como segurança para seguir em frente, com otimismo.

As redes sociais, na minha opinião, possibilitam essa reunião de pessoas que têm um elo, algo que os une, no caso, o diabetes. E isso acaba criando um sentimento forte de identificação. Pessoas diferentes, de lugares diferentes, acabam se unindo em torno desse interesse comum. E nesse contexto, nasce a solidariedade, a amizade, o compartilhamento de experiências.

Por isso fiz questão de integrar Alice ao grupo no face. Essa convivência tem sido oportunidade dela perceber que não está sozinha e muito tem contribuído para seu amadurecimento em relação à própria condição de diabética. Ela se refere carinhosamente aos membros do grupo como seus “parceiros”. E a troca de experiência dela com diabéticos, tem sido um apoio fundamental para a construção da sua autonomia. Pense bem, é bem diferente ela comentar uma crise de hipoglicemia comigo, que nunca tive, do que com pessoas que realmente passam pela experiência.
E a “escola” da solidariedade que vem dessa integração é muito boa. Outro dia conheci na faculdade um pai de uma criança de 3 anos recém-diagnosticada. Quando contei para Alice ela disse: “puxa, coitado, ele precisa entrar no face para perceber que não está sozinho e para aprender tudo sobre diabetes”.

E não é só falar exclusivamente sobre diabetes que é importante numa rede social. É muito gratificante entrar no grupo de manhã e encontrar um bom dia coletivo, ou um café virtual da tarde.

Apoio a dietas, ou a torcida por um “parceiro” recém transplantado, desabafos e brincadeiras. Enfim, tudo aquilo que nos torna mais humanos, mais atentos aos outros e que acaba fazendo bem para a alma.

2 comentários:

  1. Oi Alice e Ana! Como não tenho face, ainda não as conhecia!Mas os blogs também me deram esse suporte em Janeiro desse ano, qdo minha Marilia, então com 3 anos foi diagnosticada..... E fiz mais que amizades que unem somente por aquela indescritível dor inicial que sentimos....a querida Silvia é o grande exemplo disso..... Dividimos nossas experiências doces e outras da vida particular tb! São laços que se firmam, se estreitam e nos mostram que a vida é mais que uma condição metabólica...... É para nos ajudarmos sempre!
    Beijos carinhosos a vcs, Silvia, Audrey, Natália, Carol Lima, Carol BH e todas as minhas doces amigas
    Sempre com Deus e vamos em frente

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  2. Ana,
    amei!
    é exatamente o meu sentimento
    so fiquei decepcionada q nosso grupo de regime nao tenha tomado mais espaço! nao, brincadeira! :-)
    beijo
    Yara

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