quarta-feira, 11 de novembro de 2015

[Com a Palavra] Diabetes, que aventura é essa?

Com a Palavra: Simone Vollbrecht, mãe de três, psicóloga clínica e quando sobra um tempinho escreve na página Família Tipo 1.

Agora Somos 5 - Família Vollbrechet
Quando a gente fala em diabetes e o emocional uma variedade infinita de possibilidades de sentimentos pode formar este cenário.

Cada pessoa é única, cada família funciona de um modo, cada um tem seu tempo para entender, aprender, agir, suportar, aceitar, apoiar.

Por isto, falar o que se sente vivendo na pele (literalmente) com o diabetes, ou convivendo com alguém que amamos e que tem diabetes, é muito subjetivo.

Mas uma coisa podemos afirmar: todos ficamos mexidos quando recebemos a notícia do diagnóstico. E nesse ponto entram todos os envolvidos: pessoa diagnosticada, família, amigos, colegas, e até os desconhecidos, quando nos veem aplicando insulina, medindo a glicemia, ou sentindo uma hipoglicemia.

Só que, para alguns a tristeza é muito grande e o tempo de se organizar para enfrentar o novo desafio pode ser mais longo. 

Para outros a praticidade fala mais alto, e é preciso ser positivo para encarar toda a aprendizagem que uma doença crônica exige. É preciso agir.

E para muitos a negação funciona como defesa no início. Se não sei, não sofro, nem preciso mudar. Muito mais fácil, mas também muito mais perigoso.

Outra questão importante é o fator tempo. Ele faz uma enorme diferença no modo como encaramos o diabetes. No comecinho, dessa nova vida, tudo pode ser estressante, cansativo, aborrecido, pesado, sufocante. Mas eu te falo por experiência - lá se vão sete anos de diagnóstico no meu currículo como mãe - isso tudo uma hora passa. E depois pode voltar. Por que a vida é feita de fases. A gente aprende a lidar com as dificuldades, cresce, perde os medos. E de repente, às vezes, a gente cansa de novo, porque a rotina é assim. Daí a gente precisa pedir ajuda para a família, para os amigos, ou para um profissional capacitado. Ou umas pequenas férias, de alguns dias, já bastam. Às vezes, um simples desabafo resolve.

E aí, a gente sempre se renova. Porque o diabetes também faz isso. Ele nos modifica, nos transforma. A gente começa a valorizar coisas mais simples, aprende a dar importância ao que realmente importa: as pessoas e suas relações interpessoais. Por este motivo, o diabetes faz a gente ganhar um monte de amigos novos. Amigos distantes virtualmente, mas que se tornam tão próximos por saberem exatamente o que sentimos e vivemos. E também os que pessoalmente nos acompanham nessa aventura chamada diabetes.

Para mim é uma aventura sim. Bem desafiadora, com certeza. Mas também cheia de beleza e amadurecimento pessoal. Algumas pessoas precisam correr desafios na vida para se sentirem vivas. Subir montanhas, pular de paraquedas, nadar quilômetros no mar, ou viver uns meses num mosteiro na China. Eu te garanto, o diabetes vai te dar todas essas sensações e emoções sem sair de casa. Porque você precisa se cuidar para cuidar da sua saúde ou de algum familiar, você precisa estar centrado, ter foco, disciplina, disponibilidade, coragem, e claro, paciência e bom humor. Requisitos essenciais para que o trajeto a percorrer tenha além dos espinhos (e agulhadas), muitas flores e paisagens belíssimas. 

O diabetes nos faz ter emoções muito intensas. Algumas bem chatas e angustiantes. Mas as que são boas, e surpreendentemente elas ocorrem com frequência, são as mais bonitas que já tive na vida: a alegria nas pequenas conquistas. Como ver minha filha ter coragem aos sete anos de assumir todo o seu tratamento na escola, e me encher de orgulho. Ou quando eu e meu marido nos fortalecemos mutuamente para apoiá-la. E ainda, quando nos sentimos amados por nossos amigos e familiares, só por tê-los ao nosso lado, caminhando junto nessa grande aventura.

Nota de Agradecimento!
Simone foi um prazer ter a sua participação no blog JP e o Diabetes, ainda mais num momento tão importante, "Somos 5", muitas felicidades para todos!
Gratidão, querida!! =)

6 comentários:

  1. Nossa Catarina, amada!!! Família de amigos que se introduziram como nossos. Lágrima e risos já rolaram entre nós...e hoje vemos a situação totalmente controlada e natural. Coisa bem boa. Tudo isso, assim, tão bem resolvido, porque vocês são especiais. Beijos!

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    1. Luziany, bom dia!
      Acompanho daqui pelo virtual, mas uma família linda!
      Gosto muito da maneira da Simone se expressar na escrita, tem vida!
      Beijos em todos!!

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  2. Prezada Simone e família ...vi o seu post e gostei de ler. Resolvi escrever pra uma injeção a mais de ânimo se puder com meu depoimento, Tenho Diabetes tipo 1 há 40 anos e ele surgiu em minha vida quando eu tinha 10 anos. Eu morava com minha avó materna e minha mãe morava em DF seu trabalho era lá. Naquela época era muito muito difícil pois não tinha as maravilhar que tem hoje. Eu sempre falo que pra mim nem precisa inventar mais nada frente ao que já vivi e o que eu vivo atualmente. Naquela idade fervia-se a seringa e a agulha pois a seringa era de vidro e a agulha toda de aço kkk bem, minha vó fez isto por uns 2 anos, depois eu mesma passei a fazer e a aplicar sozinha. Não havia aparelhos de testes, bomba de infusão, dietéticos, refrigerante ...nossa isto era sonho. O pior, a dó das pessoas e o desespero e a super proteção da minha mãe estes foram obstáculos sérios para a superação. Mas eu segui em frente e desafio por desafio, fui aprendendo pois eu lia tudo que aparecia ( grande dica, educação em diabetes é essencial). Bem o tempo passou e participei da formação de uma associação de diabetes aqui em Goiânia, fui de tudo lá dentro inclusive presidente, realizei congressos e fiz parte da primeira turma de educadores pela IDF/SBD, depois saí da associação fui fazer representação e educação de bomba de infusão pois eu uso uma. Assim depois disto parei de trabalhar com Diabetes por inúmeras razões. Segui em frente. Sou formada em direito. Tenho um filho de 21 anos que está EUA fazendo música, trabalho com meu 2º marido, médico acupunturista, ele trata das desarmonias do Ser. Isto tudo pra dizer a vcs que eu lutei muito para levar uma lição em frente: educação em diabetes é essencial...a criança deve aprender cedo a cuidar de sí mesma, a família deve apoiá-la em seus desafios e não deve ter dó dela, deve estar atenta que é muito diferente (por causa da hipoglicemia) mas esta pode ser evitada com educação e cuidados. Tenho tantos caso pra contar de situaçoes de rir e chorar que merece um blog tb. ah eu não tenho nenhuma complicação do Diabetes, nenhuma, nem retina, nem renal, nem neuropática...nada e devo a isto a educação que me levou a compreender e o diabetes e não ficar apenas ouvindo a equipe médica...eu fazia parte dela, eu compartilhava sentimentos, meu médico me fez fazer um diário onde eu ia contando o que eu sentia, minha dúvidas, minhas sensações etc e tal... até hoje fui fazer exames de fundo de olho, os mais profundo pois já estou na casa dos 50 anos e o médico falou sério: "finalmente apareceu algo" kkk estigmatismo e miopia kk eu quase morri de rir...e o fundo de olho limpinho! Tudo isto é possível e dependerá do apoio que vcs darão ao seu filho, torná-lo independente, autonomo e conhecedor de sua vida pois hoje ele pode quase tudo, tem um arsenal de coisas para ajudá-lo. Eduque com limites, valores e princípios como todos devem ser educados, a unica diferença é que vc deve ensiná-lo a compartilhar com vcs o que sente, não ter vergonha de pedir ajuda e uma dica...quando ele tiver hipoglicemia ou fraquinha ou forte, não chore com ele, não fique com dó mortal, com lágrimas nos olhos, é difícil, mas faça ele sentir-se apoiado e não um coitadinho. Levante-o, abrace e dê a volta por cima, brinque com ele, continue o que estavam fazendo, explique o que aconteceu e explique como evitar que aconteça, a construção destes cuidados é no dia a dia e ele faz parte de todo processo ,é possível viver uma vida plena, mesmo que vc chore depois no banheiro, isto passará, ele deve perceber a força de todos a sua volta, pois aos poucos vc verá que vale a pena, ele compreenderá o tratamento e se tornará dirigente de sua própria vida, é o que nós mães queremos não é mesmo. E pelo que vejo em seu depoimento e que me fez escrever , já peço desculpas pelo muito de palavras. vcs tem tudo para ajudá-lo a se tornar este indivíduo de sucesso e pleno! O diabetes é apenas uma parte da vida dele que ele deve ver com sabedoria. Parabéns e meu e-mail se quiser trocar alguma mensagem: jacquepoesia@gmail.com

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    1. Jacque, boa noite!!!

      Obrigada por relatar sua experiência é sempre bom ter outras visões.

      Continuamos nosso caminho!!! Gostaria se possível ter um relato seu no blog mais detalhado, pode me enviar com foto no joaopedroeodiabetes@gmail.com

      Fico grata, obrigada.

      Abraços

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  3. Preciso de ajuda faz 5 dias que descobri que minha filha tem diabetes tipo 1 estou completamente perdida

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    1. Oi Edi, imagino como esteja se sentindo, podemos conversar. Me escreva no joaopedroeodiabetes@gmail.com
      Com o passar dos dias tudo ficará menos dolorido.
      Abraço

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