quinta-feira, 5 de novembro de 2015

[Com a Palavra] Cura Diabetes? Pró-cura Diabetes? Já pensou nisso?

Arte: Marcelo Raymundo
http://marceloconscious.wix.com/nobarato#!home/mainPage
Pró-Cura Diabetes ou Cura Diabetes? E aí você já pensou nisso?
Como andam as pesquisas pela cura? Você imagina o tanto de investimentos para pesquisas e novos medicamentos? Um assunto pertinente que não podemos ignorar. 

Com a palavra a querida Yara Resende Rocha, mãe da Laura =)

Não sou Endocrinologista, sou Anestesista, e há alguns anos trabalho na indústria farmacêutica. Tenho uma filha com DM1 ha quase 5 anos. Ela tem 7 anos e meio.

As ideias que seguem aqui, são fruto do que ando lendo, escutando, não tenho nenhuma fonte oficial, não fiz nenhum curso, não anotei nada, estou só passando o que ficou registrado na minha cabeça. 

Cura significa não ter mais diabetes. Nenhum tratamento, nenhuma disfunção. 

O que acho, muito pragmaticamente, em termos de cura, que vai acontecer nos próximos anos? Nada. E estou falando de 20, 30 anos ou mais. 

Pode existir, por exemplo, numa criança que acabou de ser diagnosticada, um tratamento que vai frear essa resposta imunitária e pode retardar o aparecimento da falta quase total de insulina. 

O que vai acontecer então? A vida de nossas crianças com o diabetes vai ser mais fácil (menos difícil, pra quem preferir).

Com técnicas de monitorização da glicemia, de administração da insulina, muito mais fáceis, confiáveis e confortáveis. Porque a tecnologia avança a passos fulgurantes, e melhor assim. 

Aonde estamos, hoje, nos avanços do tratamento, quais são os tratamentos do futuro? 

- Transplante de pâncreas: associado ao transplante de rim em pacientes com complicações irreversíveis, nos casos de insuficiência renal. Ou seja, não é uma indicação de rotina nem para casos de diabetes bem controlado.
Existe transplante de pâncreas isolado, pouco usado globalmente.
Problema: transplante = uso de imunosupressores, medicamentos que podem ter um número enorme de efeitos colaterais e graves, como câncer e infecções, por exemplo. Além disso, alguns imunossupressores podem induzir uma resistência à insulina, o que se traduz por um tipo de diabetes tipo 2, frequente também com corticoides, muito usados nos pacientes transplantados (depende do órgão transplantado).

- Transplantes de ilhotas pancreáticas: com as famosas células beta, que fabricam insulina. 
Também sempre associadas ao uso de imunossupressores. 
As células são injetadas na veia porta e se instalam no fígado, para produzir insulina. Outros locais de injeção estão sendo estudados porque a concentração de glicose na veia porta é muito elevado, o que «confunde» um pouco essas células. Longe de estar no ponto para uso nos próximos anos.

- Transplante de células-tronco:  células indiferenciadas, que podemos induzi-las a se diferenciar, no caso em células que produzem insulina.
Tenho quase certeza que não demandam uso de imunossupressores, o que é uma enorme vantagem (a confirmar). 
Inconveniente: essas células devem ser induzidas a reproduzir, se multiplicar. Células se multiplicando, o que é isso? Isso se chama câncer. Então, difícil de ser controlado no «bom ponto» (não tenho detalhes sobre essa informação). Além disso, essas células também podem/vão ser destruídas pelo sistema imunitário, então é uma solução temporária. Além disso, ensinamos essas células a produzirem insulina, mas existe também a função de produzirem insulina em proporção à glicose sanguínea, o que já é bem mais delicado. O que nos leva a: solução temporária e com chances de ser insatisfatória. Também não esta no ponto.

Então, essas técnicas ainda estão longe de serem interesantes para nosso filhos, agora, ou nos proximos 20 anos, quem sabe mais.

O que vai com certeza ser nossa realidade é o pâncreas artificial. Acho que todo mundo sabe o que é, simplesmente, é uma bomba de insulina que vai administrar a insulina de acordo com a glicemia que ele mede. « Exatamente » como o pâncreas normal. Insulina de base, o dia inteiro, mais insulina em proporção aos aumentos de glicemia consequentes a cada ingestão alimentar.
Ele só não esta disponível ainda porque esse controle é MUITO fino (essa administração de insulina após a refeição é muito complexa, vocês sabem as dificuldades que temos com esses cálculos), o que exige uma precisão enorme das funções dessa máquina, que no futuro próximo vai facilitar muito nossas vidas e aliviar a rotina de nossos filhos.

Conclusão final: temos que aguardar, a cura não está em nossas mãos, a pró-cura depende dos pesquisadores, então ficamos com o que temos e é real, o tratamento no qual nos adaptamos seja, caneta, seringa ou bomba de insulina mas que surtem ótimos resultados.

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