sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Diabulimia: distúrbio que pode ser fatal

Transtorno afeta pacientes com diabetes tipo 1 que deixam de tomar a insulina deliberadamente
Adolescentes do sexo feminino com diabetes tipo 1 formam o grupo de maior risco para o desenvolvimento de diabulimia, transtorno alimentar ou de imagem corporal, como a bulimia e a anorexia, porém com características relacionadas à administração da insulina. Portadoras de diabulimia aliam a rejeição aos alimentos – comum a todos os transtornos de imagem corporal – à redução ou até ao abandono do tratamento do diabetes por saberem que a perda de peso é um dos efeitos mais imediatos da falta de insulina. É mais um distúrbio que coloca a saúde em risco em nome da estética da magreza.
Um dos principais hormônios produzidos pelo corpo humano, a insulina é de vital importância para o funcionamento do organismo e para o crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes. Nos portadores de diabetes tipo 1, o pâncreas é incapaz de produzir a insulina, que precisa ser suprida por meio da autoadministração.
A conduta clássica no tratamento da doença consiste em ensinar a criança ou adolescente a se medicar para que possa manter sua autonomia e independência. “O paciente recebe todas as informações relacionadas à importância de administrar corretamente a insulina, tanto no que se refere à dose certa quanto aos intervalos adequados, e é alertado sobre o que pode acontecer se não seguir à risca o esquema”, diz o Dr. Ricardo Botticini Peres, endocrinologista do Einstein.

O outro lado da informação

Com pleno conhecimento sobre o mecanismo de ação da insulina, pacientes com propensão ao distúrbio alimentar acabam tendo nas mãos um poderoso instrumento para provocar o rápido emagrecimento. Sem insulina, o corpo perde a capacidade de utilizar a glicose como fonte de energia e vai buscar essa energia na gordura.
O resultado desse processo, porém, é extremamente perigoso: trata-se da cetoacidose, uma complicação do diabetes que tem como principais sintomas desidratação, perda de massa muscular, fadiga intensa, hiperglicemia, aumento na frequência e na quantidade de micções, hálito com odor acentuado de acetona e confusão mental. Se não detectada a tempo, a cetoacidose pode levar à morte em menos de 48 horas de ausência ou insuficiência de insulina.
Não há dados sobre a incidência de diabulimia no Brasil ou no mundo, pois felizmente se trata de um distúrbio pouco comum, associado ao diabetes tipo 1, que representa apenas 10% do total de casos da doença.
Entre adolescentes diabéticos ocorre com alguma freqüência uma rejeição inicial ao tratamento com insulina, pois eles temem ser discriminados pelos colegas ou sofrer limitações. "Mas não há qualquer relação direta entre a rejeição inicial ao tratamento do diabetes e a manifestação da diabulimia. Se não fossem diabéticos, esses jovens provavelmente apresentariam outro tipo de transtorno de imagem corporal, como a bulimia ou a anorexia", explica o Dr. Rogério Ribeiro, endocrinologista responsável pelo Programa de Diabetes do Einstein. Estima-se que ao longo da vida esses transtornos afetarão entre 0,5% e 4% da população feminina mundial.
Apesar da falta de estatísticas, o fato é que o excessivo apelo à magreza como padrão estético de beleza vem fazendo com que a diabulimia cresça em outros grupos onde até alguns anos atrás a manifestação era extremamente rara. "Há relatos de casos em jovens do sexo masculino e em mulheres adultas, já casadas e com filhos", comenta o Dr. Simão Augusto Lottenberg, endocrinologista do Einstein e professor-assistente da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da USP.
Pais, familiares e responsáveis devem ficar atentos a qualquer sinal de emagrecimento súbito do paciente e levá-lo ao médico responsável pelo acompanhamento do diabetes para evitar complicações, principalmente da cetoacidose. Uma vez diagnosticada a diabulimia, o caminho é associar a terapia convencional do diabetes ao tratamento psicológico ou psiquiátrico.

 Fonte: Einsten Saúde

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