quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Doces Crianças



Quando se fala em diabetes, vem à cabeça o tio, o avô, ou seja, uma ideia de que essa doença aparece na idade avançada, geralmente ligada a sedentarismo e maus hábitos alimentares.

Por isso, quando alguma criança aparece diagnosticada com diabetes, o espanto. Como pode? Comeu doces exageradamente?

Diabetes tipo 1 é o diabetes que comumente aparece na infância e na adolescência. Desde a mais tenra idade, o diabetes tipo 1 diminui a incidência depois dos 25 anos e representa cerca de 10% dos casos de diabetes.

Trata-se de um processo autoimune, no qual o sistema imunológico identifica as células produtoras de insulina (beta) como inimigas e as destrói. Sendo assim, o portador se torna um insulinodependente, ou seja, dependerá de doses de insulina diárias para sobreviver.

Pode-se viver muito bem com o diabetes, desde que bem controlado. Há vários tratamentos, vários tipos de insulinas. O médico deverá estar informado e assim determinar qual a insulinoterapia mais adequada para seu paciente.

O portador de diabetes tipo 1, além das injeções de insulina, deve realizar várias medições de glicemia ao longo do dia, ter alimentação balanceada e, de preferência fazer atividades físicas. Fazendo isso, mantendo o diabetes sob controle, dificilmente a doença trará complicações futuras.

Mas sem cuidados, o diabetes é traiçoeiro e pode, silenciosamente causar danos aos rins, visão e coração.

Duas situações podem ocorrer ao diabético tipo 1:

- hiperglicemia, quando os índices de glicose no sangue estão elevados (acima de 180). Nesse caso são comuns os seguintes sintomas: sede excessiva, fome, vontade de urinar frequente, cansaço. Nesse caso deve-se adotar os procedimentos do tratamento prescrito para que a glicemia volte aos índices normais.

- hipoglicemia, quando os índices de glicose no sangue estão muito baixos (abaixo de 70). Nesse caso os sintomas são: mal estar, desorientação, tremores, suores. Nesse caso, deve-se ingerir algo doce, ou suco de laranja, ou refrigerante, para que o índice de glicose volte ao nível normal.

Dependendo da idade da criança, ela ainda não terá muita habilidade para administrar os próprios sintomas, exigindo sempre um olhar atento dos responsáveis. Isso costuma assustar professores que, na escola, se sentem acuados mediante a responsabilidade com a criança diabética.

É importante frisar que, como uma doença crônica, sem cura até o momento, deve-se trabalhar, pais e professores para que a criança vá paulatinamente conquistando sua autonomia.

Deve-se entender sua condição e, antes de entrar em pânico ou achar que a criança diabética será um “perigo” na escola, deve-se munir de informações.

O diabetes não impede que a criança leve uma vida absolutamente normal, que participe de todas as atividades escolares como qualquer outra criança.

Informar-se é a chave para uma vida tranquila e saudável.

Um olhar atento e ponderação são atributos inerentes aos bons professores, àqueles que exercem suas atividades docentes com amor e dedicação. Por isso, a criança diabética não deve ser vista como um problema, algo frágil que atrapalha a rotina escolar.

Deve ser vista como um ser humano que busca, como qualquer outro, a consciência de si e autonomia.

Pais e professores devem colaborar entre si para o bem estar dessa criança. Não é difícil, requer sobretudo boa vontade.

Diabetes, no fundo, é uma doença que agrega a participação da família, um bom entendimento com a escola, médico e nutricionista, todos trabalhando em parceria, é, definitivamente o segredo para o sucesso do tratamento.

Os diabéticos, longe de serem um problema, nos lembram que o mundo funciona muito melhor quando lembramos que não estamos sozinhos, que o mundo precisa das atitudes colaborativas para se tornar um mundo melhor.
[Ana Beatriz Linardi]

#BigBlue Test: Alguns pequenos passos podem mudar o futuro das pessoas com diabetes!

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