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quarta-feira, 7 de março de 2012

Memórias com Açúcar

Memórias com Açúcar por Márcio Alexandre Pereira

Nasci em março de 1971. Em abril de 1973 fui diagnosticado com diabetes tipo 1.

Na época, pouco se sabia sobre a doença e isto foi motivo de muita dificuldade para os meus pais pois não haviam hospitais especializados em diabetes, principalmente a infantil já que estes casos são bem menores que o diabético adulto. 


Em 1977 conheci um endocrinologista que fez uma enorme diferença em minha vida, um especialista em diabetes infanto juvenil do Instituto da Criança do Hospotal das Clínicas. A partir deste dia este médico fez com que minha vida se torna-se melhor, fui crescendo, adolescência normal com todas as rebeldias da idade, juventude, trabalho, namoro, casamento, filhos, etc.

Já na vida adulta e com toda a minha experiência com o convívio com esta doença, em outubro de 2010 percebi que ainda existia um certo preconceito com a diabetes, que as pessoas ainda não tem conhecimento da doença e que possuem uma ideia errada inclusive desconhecendo os problemas e consequencias da doença.

Foi aqui que decidi relatar em um livro o meu conhecimento da doença relacionando cada conhecimento com uma experiência real da minha vida buscando desmistificar a diabetes, mostrando que se soubermos lidar com a doença teremos no futuro memórias e recordações doces mesmo sendo diabéticos.


O Márcio é diabético há 38 anos, com certeza tem muita história pra contar, nada como apreciar um bom livro contando sua vivência com nossa amiga diabetes.

Para adquirir o livro é só mandar um e-mail para:

memorias_com_acucar@hotmail.com

Boa leitura!!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dicas importantes quando se é diagnosticado com diabetes tipo 1

Este post é dedicado aos pais que descobriram recentemente o diabetes de seus filhos, queria fazer uma matéria com algumas informações importantes quando se é diagnosticado com DM1, ai me lembrei que no site do Endocrino do João, tinha essas informações e nos ajudou muito, então resolvi compartilhar aqui.

Segue a matéria.

Não é fácil descobrir que a criança tem diabetes
Os pais podem sentir-se nervosos, ao aplicarem as injeções e verificarem a glicemia com receio de ferirem seu filho, e inseguros na hora de escolher os alimentos; passam a se preocupar com muitas coisas com as quais jamais se preocuparam. Mas, passo a passo, dia após dia, todos aprenderão a lidar com o diabetes. 

Você não está sozinho
Milhares de famílias estão passando pela mesma situação. O diabetes afeta todos os tipos de pessoas, de todos os estilos de vida e de todas as etnias e nacionalidades. Estima-se que, no Brasil, existam mais de 600 mil pessoas com diabetes tipo 1.

Uma criança com diabetes pode fazer tudo o que uma criança sem diabetes faz
Com um bom controle glicêmico (do açúcar no sangue), a criança conseguirá fazer as atividades habituais que outra criança sem diabetes faz. Essa doença é séria, e orientações quanto à nova realidade' por meio de uma alimentação saudável, exercícios, monitoramento regular do açúcar no sangue e aplicações de insulina, além de muito amor e compreensão, devem ser transmitidos.

Às vezes, mesmo agindo corretamente, as coisas podem dar errado
Manter o nível de açúcar no sangue na faixa desejada, durante todo o tempo, pode ser desafiador e gerar frustração. Isso acontece especialmente com as crianças, porque a glicemia delas varia mais que a dos adultos. Os adolescentes costumam passar por momentos ainda mais difíceis que as crianças menores com o controle glicêmico. O segredo é não desistir. À medida que se aprende e se adquire experiência, tudo melhora.

O que está acontecendo no corpo
Células especiais do pâncreas (órgão localizado próximo ao fígado), chamadas "células beta", produzem insulina. O corpo necessita da insulina para conseguir utilizar os alimentos para geração de energia. Em uma criança com diabetes tipo 1, o corpo ataca e destrói essas células especiais produtoras de insulina, parando de produzi-Ia. Não se sabe exatamente por que isso acontece.

A insulina é o único tratamento
Sem insulina, o açúcar fica no sangue em vez de entrar nas células. Isso significa que as células não conseguem a energia que necessitam. É aí que entram as injeções de insulina, que tiram o açúcar do sangue e o colocam no interior das células. Uma criança com diabetes tipo 1 deve receber insulina para sobreviver.

Por que não existe uma pílula de insulina
Existem muitos problemas envolvidos na criação de uma pílula de insulina, os ácidos estomacais iriam digeri-Ia. Mesmo se não fosse dissolvida, a insulina demoraria mais para entrar no sangue. Por fim, as necessidades diárias de insulina são diferentes de uma pessoa para outra, de refeição para refeição. Esses fatores dificultam a criação de uma pílula de insulina que possa ser tão eficaz quanto as injeções ao controle do açúcar no sangue.

Dando insulina para o diabético
Uma vez que o pâncreas não consegue produzir insulina, esse hormônio deve estar sempre à disposição. Isso significa que várias injeções devem ser aplicadas todos os dias, ou uma bomba de insulina deve ser utilizada. Crianças com diabetes tipo 1 precisam de insulina de ação intermediária ou longa (basal) para ajudar a manter os níveis glicêmicos sob controle, durante o dia e a noite. Elas também precisam de insulina de ação rápida (bólus alimentar) para equilibrar os níveis de açúcar durante as refeições.

Uma injeção de insulina atua como a insulina natural
Inicialmente, é natural você ficar assustado ao aplicar uma injeção de insulina na criança. Quando o pâncreas não consegue trabalhar por conta própria, isso terá de ser feito por outra pessoa. Mas lembre-se: toda vez que uma injeção de insulina for aplicada em uma pessoa diabética, ela estará recebendo algo semelhante àquilo que o corpo não consegue produzir.

Verificação da glicemia
É muito provável que o médico sugira que a glicemia seja verificada várias vezes ao dia. Para fazer isso, é necessário um glicosímetro. Siga as instruções dadas pelo médico ou as instruções que acompanham esse aparelho. Os resultados de glicemia são ferramentas poderosas para compreender e cuidar do diabético.

Verificação com um glicosímetro
A maioria dos aparelhos utiliza uma pequena gota de sangue do dedo ou do braço do paciente. Coleta-se o sangue com uma pequena agulha chamada lanceta. Em seguida, aplica-se o sangue em uma tira de teste e, depois, deve ser inserida no glicosímetro. Em poucos segundos, o aparelho mostrará um número: o nível de glicemia naquele momento.

Por que é importante verificar a glicemia
Quando se sabe o nível de açúcar no sangue, pode-se escolher o que fazer. É importante não pensar no número do medidor corno um resultado bom ou ruim, mas, sim, como uma ferramenta que o ajudará a tomar decisões. Mantenha um diário de glicemia Uma ótima maneira de acompanhar os níveis de açúcar no sangue é mantendo um diário de glicemia. Nesse diário, podem-se anotar a faixa de variação ideal para o paciente e as leituras diárias de glicemia. Ao fazer isso, o médico terá as informações necessárias para detectar as tendências da glicemia e, com isso, ajustar o tratamento utilizado.

A FASE DA LUA DE MEL

Uma experiência comum
Algumas crianças com diabetes tipo 1 podem passar por um período de melhora aparente após iniciar a terapia com insulina. Esse período é chamado "fase da lua de mel", o qual pode durar semanas, meses ou até mesmo um ano ou mais. A maioria das crianças diagnosticadas antes dos 12 anos de idade passará por essa fase.

O que acontece depois
Durante a fase da lua de mel, o pâncreas pode ainda liberar um pouco de insulina, porém, com o passar do tempo, esse mecanismo para. Se isso acontecer, o paciente precisará de mais insulina nas injeções. O apoio mútuo também, durante a fase da lua de mel, facilitará o ajuste do tratamento do diabetes após esse período ter passado.

DADOS IMPORTANTES

O controle da glicemia no dia a dia
Os níveis de açúcar no sangue (glicemia) mudam ao longo do dia, até mesmo em pessoas que não têm diabetes. Fatores, corno alimentação, prática de exercícios, crescimento, estresse e doenças, podem afetar esses níveis de açúcar. Cada pessoa e cada situação são diferentes. Por isso, é importante saber qual é a faixa adequada para cada um.

No entanto, independentemente dos valores de referência usados, alguns poderão ser maiores ou menores; ninguém tem valores perfeitos o tempo todo.

Observação: algumas crianças podem necessitar de valores maiores ou menores.

Dois tipos de insulina necessárias para seu filho
Crianças com diabetes tipo 1 precisam de dois tipos de insulina: uma de ação intermediária ou longa (basal), que ajuda a manter o açúcar no sangue controlado durante o dia e a noite; e outra de ação rápida (bólus alimentar), que ajuda a equilibrar o açúcar no sangue durante as refeições.

O controle da glicemia a longo prazo
A hemoglobina glicada (A1C) é um exame sanguíneo, que mede o controle médio da glicemia ao longo de um período de dois a três meses, e é realizado em laboratório.
Os valores de referência da A1C estabelecidos para crianças são maiores que os determinados para a maioria dos adultos. Isso acontece para a segurança delas. Conforme a criança cresce, ou conforme a glicemia estabiliza-se, o médico poderá diminuir a faixa de referência da A1C. A maioria das pessoas com diabetes não apresenta uma A1C ideal o tempo todo. Essas diretrizes têm como intuito ajudá-Io e auxiliar o médico a manter o paciente sob controle. É importante consultar o médico sobre qual é a faixa de referência mais adequada para o diabético.

Observação: conforme a criança cresce, o valor-alvo da A1C ficará um pouco menor, mas cada pessoa e cada situação são diferentes.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A coisa mais importante

A nossa amiga Nicole mãe da Doce Vittória escreveu o seguinte hoje no facebook:

Depois desse contato com várias famílias DM 1, principalmente os pais de uma criança com diabetes, pude perceber como cada um se vira de um jeito após o diagnóstico. Hoje lembrei disso depois de assistir um vídeo da Jane Fonda onde ela cita um cara mto legal, Viktor Frankl que diz o seguinte:

".. Pode-se tirar tudo de um homem exceto uma coisa: a última das liberdades humanas – escolher a própria atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho." e mais...

"Quando a circunstância é boa, devemos desfrutá-la; quando não é favorável devemos transformá-la e quando não pode ser transformada, devemos transformar a nós mesmos."

Podemos sofrer sim após algo que não nos agrada... mas podemos decidir viver sofrendo ou não! Nós escolhemos como vivemos e mais ninguém. Pensem... se não há uma forma melhor de vocês viverem... e não tô só falando do diabetes, é pra tudo na vida.


Isto serviu pra mim de uma forma tão profunda que fiquei a pensar sobre o assunto o dia todo, eu sempre acreditei que nada nessa vida é por acaso, então o que nos dá força para agirmos quando uma tempestade assola o nosso caminho e onde temos a opção de escolha como disse a Nicole: pra mim sempre o AMOR.

Não falo do amor entre um homem e uma mulher. Mas sim do AMOR em sua essência, ou seja:

aquele amor sublime que nos impulsiona a seguir em frente sempre

do amor que constrói uma vida melhor

o amor que ajuda a quem precisa sem preconceito de raça, credo ou religião

o amor que nos faz sorrir ou chorar sem motivo

o amor pelo nosso semelhante, pela natureza e pelos animais

o amor pela vida, nossos pais, nossos filhos e por nós mesmos

o amor que nos traz paz interior, independente das vicissitudes encontradas, talvez o segredo está em ACREDITAR e AGIR .

AME, AME E AME e tudo será sempre mais fácil, vamos perceber que somos felizes e não sabíamos, pelo simples fato de AMAR, pois a felicidade é uma condição interna da pessoa.

Abaixo um pequeno texto que traduz o que sinto neste momento de minha vida:

O ser humano mais importante do mundo

O desafio anual da escola era a seguinte pergunta: “Qual o ser humano mais importante do mundo?” A melhor resposta valia uma bolsa de estudos para o ano seguinte. Tita queria muito ganhar o desafio, porque sua família passava por dificuldades financeiras e o prêmio ajudaria bastante.

Ela, decidida a brigar pelo primeiro lugar, foi a luta! A primeira parada foi a Biblioteca Municipal, porém lá havia centenas de biografias de homens e mulheres que foram e são importantes para a humanidade. Tita fez algumas anotações, mas não encontrou uma resposta.

Em seguida a garota foi pesquisar na Internet. Procurou em vários sites, sem encontrar a informação que desejava.

Tita foi, então, perguntar a sua mãe:

- Jesus! – foi a resposta que ouviu. Ele mudou o mundo. A história e a contagem do tempo se dividem entre antes e depois da sua presença na Terra. Seus ensinamentos são muito importantes para a humanidade.

Era, sem dúvida, uma resposta muito interessante. Porém, logo em seguida, Tita lembrou que Jesus jamais se consideraria o ser humano mais importante do mundo. Embora ele seja o modelo e guia, o ser mais perfeito que já viveu na Terra, Jesus é humilde. Ele disse que tudo o que ele fez e faz nós também podemos fazer, pois somos todos irmãos, filhos de Deus, um Pai bondoso e sábio.

Ela se lembrou, então, de diversos outros indivíduos que dedicaram sua vida em auxiliar as pessoas: Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, Martin Luther King, Allan Kardec, Chico Xavier, Divaldo Franco, todos eles são exemplos de amor ao próximo.

- É isso!- disse Tita bem alto. Descobri quem é o ser humano mais importante do mundo!

E ela elaborou a resposta que ganhou o primeiro prêmio e a bolsa de estudos:

"Conforme ensinado por Jesus, o ser humano mais importante do mundo é o meu próximo, aquele que precisa de mim e me oportuniza realizar a caridade através de pensamentos, palavras e ações. Assim, considerando o meu próximo o ser humano mais importante do mundo, a quem devo respeitar, amar e fazer o bem, caminho na direção de Deus, nosso Pai."

Claudia Schmidt

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Acontecimentos dos últimos dias

Criança é sempre criança e cada dia é uma surpresa pra nós.

Aconteceu um fato na semana passada na Escola, o João junto com outro amiguinho novo da classe, na fila pra entrar depois do lanche começou uma brincadeira de lutinha com outro amiguinho porque não quis brincar com eles. A coordenadora conversou com os três e pediu para eu falar com o João. E nesse mesmo dia veio um recadinho na agenda da distração dele dentro da sala de aula.

Falamos com o João sobre o ocorrido, mas ele não quis se abrir muito, nos perguntou e se fosse com ele, explicamos que isso não deve acontecer nem com ele e nem com os amigos, mas se acontecer pra falar com a professora ou coordenadora. Teve um momento que ele falou, mãe não quero mais falar sobre isso.

Comecei a pensar no que aconteceu, na falta de atenção e no fato de brigar, será que foi um impulso de brincadeira, talvez até pela idade ou será que poderia ter lá no fundo alguma relação com o diabetes?

Nessas horas sempre tem alguém com quem podemos trocar ideias e claro não tive duvidas, falei com a Nicole e ela foi super bacana. É mais fácil no primeiro momento por a culpa no diabetes, mas nem sempre ele é a causa, temos que analisar a situação com calma, cada um conhece o filho que tem, e o meu não é um santinho, embora seja uma criança maravilhosa.

Conversei bastante com a professora e chegamos a conclusão que o desentendimento com o amigo foi porque está crescendo e acha que pode tomar atitudes sozinho, não que isso justifique o comportamento dele, estamos falando com ele e mostrando o porque de não agir dessa forma.

No começo da semana outra falta de atenção em classe, na conversa com Nicole comentei que o João não gosta de Português, ele ama ler mas odeia escrever, é uma luta quando tem lição de Português. Ela me falou que a Vivi passou por isso e foi feito um trabalho por um ano e meio com uma psicopedagoga, que fez uma avaliação da parte cognitiva motora, trabalhou também a auto estima, mas ela não podia afirmar se tinha relação com o DM ou se era da Vivi. Outra coisa que me falou foi que a atenção da Vivi varia com a glicemia, a professora percebeu que quando ela está mais dispersa, com dificuldade em se concentrar, terminar as atividades, a glicemia está alta ou baixa, então a Nicole sempre fala pra professora medir quando ela tiver assim, e aí corrige com mel ou insulina. O que estamos fazendo agora é observar suas glicemias quando ele apresenta a falta de atenção e se for o caso, vamos corrigir. Outro fato que estamos levando em consideração é fazer uma avaliação com a Psicopedagoga.

Além de tudo isso na terça-feira o João começou a apresentar glicemias altas com valores de 262 à 440, liguei para o Endocrino e corrigimos com a novorapid, achamos que pode ser a garganta. Nesses últimos dias estou trabalhando, manhã, tarde e noite, por causa das reuniões pedagógicas de começo de ano. O que aconteceu na terça foi que apliquei dose errada de insulina basal, estava tão cansada que não prestei atenção na caneta, ela não zerou. Ontem o dia dele foi um pouco melhor, apresentou medidas altas em torno de 250, mas antes do almoço, antes do jantar e depois que cheguei em casa (21h30), surpresa hipos de 46, 50 e 58 .

Hoje acordou com a glicemia ótima 91, não descartamos a possibilidade de uma infecção, pois ele está resfriado, mas o que está me incomodando um pouco foram as hipos de ontem, acredito que seja de fundo emocional, por não estar com eles nesses dias.

Estou cansada, mas encontro forças pra seguir em frente por um único motivo, tenho o bem maior, o AMOR de minha família e meus amigos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Será que o açúcar pode ser tóxico?


No tempo que você leva para ler essa frase, uma pessoa no mundo morreu de diabetes tipo 2. Duas outras serão diagnosticadas com a doença.
A diabetes tem uma progressão lenta e está ligada com a obesidade, e por isso é considerada “diferente” e “autoinduzida”. Apesar de ser uma “assassina”, não é tão violenta como o câncer e doenças infecciosas. Mas, ao analisar os impactos pessoais e econômicos que ela causa, nós deveríamos dar mais atenção para ela.
De acordo com uma pesquisa da Universidade da Califórnia, o açúcar é um risco à saúde – contribuindo com cerca de 35 milhões de mortes por ano – e por isso deveria ser considerado uma substância potencialmente tóxica como o álcool e o tabaco.
Os pesquisadores dizem que sua ligação com a diabetes é tão grande, que impostos extras deveriam ser cobrados sobre comidas e bebidas com muito açúcar. Eles também recomendam o banimento da venda desse tipo de alimento perto de escolas, assim como restrições de idade nos produtos.
Você deve ter pensado: açúcar? Tóxico? Impossível. A verdade é que existe muita evidência de que o açúcar realmente é perigoso, por ser um fator de duas epidemias irmãs: a obesidade e a diabetes.
Os pesquisadores argumentam que particularmente tóxica é a sacarose – um composto natural formado de glicose e frutose, que é refinado para produzir o açúcar branco e um super açúcar processado. Ambos são adicionados aos alimentos processados – cereais, barras de café da manhã, algumas carnes, iogurtes, sopas e molhos. Ao invés de aumentar o conteúdo de frutas de um alimento, os produtores preferem colocar mais açúcar processado.
O que faz desse açúcar tão perigoso é que a frutose do açúcar refinado é quebrada primeiro no fígado (ao contrário da glicose que é lentamente liberada dos carboidratos complexos, durante a digestão). O rastro que esse açúcar refinado deixa no fígado começa um processo que pode levar até a diabetes tipo 2.
Isso porque altos níveis de açúcar no sangue significam que o pâncreas tem que produzir muita insulina – um hormônio que controla essa quantidade. Com o tempo, o pâncreas se cansa e começa a parar. Ao mesmo tempo, as células do corpo ficam resistentes aos efeitos da insulina, mantendo os níveis de açúcar no sangue muito altos.
É importante esclarecer que isso é diferente da diabetes tipo 1, quando as células do sistema imunológico atacam e destroem as células secretoras de insulina. Isso pode afetar pessoas muito jovens, e não tem relação com a alimentação. A tipo 2 é predominante na meia idade, afetando as populações de países desenvolvidos, e iniciada com uma dieta rica em açúcar e alimentos processados. Ela afeta todos os órgãos do corpo e está ligada com doenças do rim e do coração. Atinge também a circulação sanguínea e os vasos, podendo levar a amputações e cegueira.
Por causa da nossa alimentação, a diabetes tipo 2 está atingindo proporções epidêmicas. No Reino Unido, existem 2,6 milhões de pessoas afetadas, e outras 1 milhão ainda não foram diagnosticadas. O custo dessa situação na saúde é extraordinário. Globalmente, o gasto econômico é estimado em quase R$ 1 trilhão por ano. Para colocar em perspectiva, o custo dos terremotos e do tsunami no Japão foi de R$ 180 bilhões.
Mas ao contrário da ligação entre o fumo e o câncer de pulmão, a relação entre o açúcar e a diabetes não chegou ao público, não se transformando em políticas de saúde. Talvez esteja na hora de tratar a comida com açúcar da mesma maneira que os cigarros. Mas qual a chance de conseguirmos isso quando as cadeias de fast food e indústrias alimentícias estão cada vez mais influenciando as políticas de saúde?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os riscos da hipoglicemia durante e após as atividades físicas

Hipoglicemia é o baixo nível de glicose no sangue. Ela acontece por que o corpo utiliza-se da glicose como subsídio para a produção de energia. A hipoglicemia está diretamente ligada à diabetes.
Existem dois tipos de diabetes: o tipo 1 e o tipo 2. O diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune caracterizada pela destruição das células beta produtoras de insulina. Para esses indivíduos que utilizam insulina para o controle da glicemia, a hipoglicemia é um fator de risco porque a ingestão de alimentos e a quantidade de insulina utilizada determinam o controle glicêmico. Quando falham em alguma refeição ou erram na dosagem de insulina utilizada, os diabéticos tipo 1 correm o risco de ter uma hipoglicemia.

O diabetes tipo 2 é determinada por uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. Uma de suas peculiaridades é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas. Por muitas razões, suas células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sanguínea. O diabetes tipo 2 é mais comum que o tipo 1 e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes vai necessitar de medicamentos orais e a combinação destes com a insulina. Neste avanço da doença, a probabilidade de uma hipoglicemia é aumentada.

Normalmente, as crises de hipoglicemia acontecem quando os horários entre as refeições são muito extensos ou quantidade de alimentos a serem ingeridos não são o suficiente para o organismo. Pular algumas refeições durante o dia é um dos maiores causadores da hipoglicemia. Para as pessoas que não regulam suas alimentações em quantidades e horários adequados e principalmente para diabéticos, os exercícios físicos aumentam os riscos de hipoglicemia.

Não se acha a glicose somente no sangue, mas também no fígado e nos músculos como uma espécie de reserva. Quando você se exercita, seus músculos usam essa reserva como energia. Quando essas reservas começam a secar, seus músculos usam a glicose do sangue, causando a queda dela na corrente sanguínea. O exercício permite com que os músculos e outros tecidos fiquem mais sensíveis à insulina. Após o exercício, o organismo tenta completar as reservas utilizadas e neste aspecto podemos ter a hipoglicemia após os exercícios.
Na verdade, a glicose é a principal fonte de energia para o corpo humano. Para o nosso cérebro e tecido nervoso, o açúcar é a única fonte de energia. Portanto, a quantidade de açúcar no sangue deve ser mantida dentro de determinados níveis para assegurar o suprimento de energia. Diante de uma hipoglicemia, apresentamos dois tipos de sintomas.

Os decorrentes da produção de adrenalina na tentativa de elevar a glicose são:

• Tremores, ansiedade, nervosismo;
• Palpitações, taquicardia;
• Sudorese, calor;
• Palidez, frio, languidez;
• Pupilas dilatada;

E os decorrentes de pouco açúcar (glicose) no cérebro:

• Atividade mental anormal, prejuízo do julgamento;
• Indisposição não específica, ansiedade, alteração no humor, depressão, choro, medo de morrer;
• Negativismo, irritabilidade, agressividade, fúria;
• Cansaço, fraqueza, apatia, letargia, sono, sonho diurno;
• Confusão, amnésia, tontura, delírio;
• Olhar fixo, visão embaçada, visão dupla;
• Atos automáticos;
• Dificuldade de fala, engolir as palavras;
• Ataxia, descoordenação, às vezes confundido com embriaguez;
• Déficit motor, paralisia, hemiparesia;
• Parestesia, dor de cabeça;
• Estupor, coma, respiração difícil * Convulsão focal ou generalizada.

O tratamento da hipoglicemia é feito basicamente com dieta, ou seja, controlando os horários das refeições e as quantidades ideais para cada organismo. Quanto a prática regular de exercícios, a alimentação deve ser elaborada para que possa suprir as necessidades básicas de energia durante e após a seção de atividades físicas.

Caso sinta ou veja alguém com os sintomas da hipoglicemia, imediatamente ofereça algum alimento que forneça glicose, como por exemplo, um copo de suco, uma barrinha de cereal, um copo de refrigerante que não seja diet, um pedaço de chocolate, ou algum alimento que você saiba que contenha açúcar e que seja de uma absorção rápida. A hipoglicemia é muito perigosa.

Fica a dica: controlar os horários e os tipos de refeições é talvez o ponto fundamental para combater a hipoglicemia. Caso você seja diabético, os cuidados aumentam ainda mais por causa do controle a insulina. Procure tanto um nutricionista com um professor de educação física, e que eles sejam qualificados para cuidar da sua saúde. Saúde em primeiro lugar.

Laert Braz Junior é formado em Educação Física no Centro Universitário de Araraquara (Uniara) e pós-graduado na Universidade Gama Filho em Atividade Física Adaptada e Saúde. É professor na academia Saúde Activa.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dia Municipal do Diabetes em Piauí será comemorado em ação educativa

Nesta quarta-feira, 01 de fevereiro, é comemorado o Dia Municipal de Combate ao Diabetes, data prevista em lei de autoria do vereador José Ferreira. De acordo com a lei Enzo, como foi denominada, neste dia deverão ser realizadas atividades visando a conscientização e prevenção da doença. Pensando nisso, a Associação dos Diabéticos do Piauí (ADIP), em parceria com a Unidade Integrada de Saúde do Parque Piauí, realiza amanhã (01), uma ação educativa alertando sobre a relevância da detecção precoce da doença, sintomas e tratamento.

Na ação, que acontecerá a partir das 7h no Hospital do Parque Piauí, serão realizadas glicemias capilares, aferição da pressão arterial, uma caminhada da Integração, palestra sobre o Diabete Mellitus, que será ministrada pelo médico Fábio Marcos Sousa, além de cadastro de associados da ADIP e degustação de chás e frutas.



Para Jeane Melo, presidente da ADIP, esse tipo de atividade é importante para disseminar a boa informação, especialmente sobre os direitos dos diabéticos. “O Dia Municipal do Diabetes é uma vitória para nós que convivemos com essa doença que não discrimina e que pode ocorrer em jovens ou idosos, ricos ou pobres, homens ou mulheres. Realizar essa ação no Hospital do Parque Piauí é uma forma de nos aproximarmos da comunidade, alertarmos sobre a importância do tratamento, bem como dos direitos dos diabéticos”, explica.

A LEI

A data na qual será lembrada a passagem pelo Dia Municipal do Diabetes, 01 de fevereiro, é uma homenagem ao garoto Enzo, símbolo da campanha pelos direitos dos diabéticos de Teresina. O garoto, que aniversaria nesse dia, tem seis anos de idade e é diabético desde os nove meses de vida. A mãe do garoto, a jornalista Jeane Melo, há muito tempo luta por um tratamento menos traumático para o filho, que é insulino-dependente e que necessita de cuidados especiais por conta da doença.

A jornalista também foi a grande mobilizadora do movimento Assina Elmano no Twitter, conseguindo a adesão de várias pessoas simpatizantes com a causa, que era a assinatura da de lei N° 46/11, por meio do qual a rede municipal de saúde seria obrigada a fornecer, de forma gratuita, medicamentos e insumos necessários para o tratamento e controle do diabetes. Na época, a campanha virou um dos 10 assuntos mais comentados do Twitter no Brasil, chegando ao primeiro lugar no ranking criado pelo microblog. O prefeito Elmano Férrer não sancionou a Lei, mas do movimento surgiu a Associação dos Diabéticos do Piauí (ADIP), que continua na luta pelos direitos dos diabéticos.


Fonte: 180 graus

Maiores informações sobre a Lei Enzo, clique aqui no blog Piauí Diabético