Criança é sempre criança e cada dia é uma surpresa pra nós.
Aconteceu um fato na semana passada na Escola, o João junto com outro amiguinho novo da classe, na fila pra entrar depois do lanche começou uma brincadeira de lutinha com outro amiguinho porque não quis brincar com eles. A coordenadora conversou com os três e pediu para eu falar com o João. E nesse mesmo dia veio um recadinho na agenda da distração dele dentro da sala de aula.
Falamos com o João sobre o ocorrido, mas ele não quis se abrir muito, nos perguntou e se fosse com ele, explicamos que isso não deve acontecer nem com ele e nem com os amigos, mas se acontecer pra falar com a professora ou coordenadora. Teve um momento que ele falou, mãe não quero mais falar sobre isso.
Comecei a pensar no que aconteceu, na falta de atenção e no fato de brigar, será que foi um impulso de brincadeira, talvez até pela idade ou será que poderia ter lá no fundo alguma relação com o diabetes?
Nessas horas sempre tem alguém com quem podemos trocar ideias e claro não tive duvidas, falei com a Nicole e ela foi super bacana. É mais fácil no primeiro momento por a culpa no diabetes, mas nem sempre ele é a causa, temos que analisar a situação com calma, cada um conhece o filho que tem, e o meu não é um santinho, embora seja uma criança maravilhosa.
Conversei bastante com a professora e chegamos a conclusão que o desentendimento com o amigo foi porque está crescendo e acha que pode tomar atitudes sozinho, não que isso justifique o comportamento dele, estamos falando com ele e mostrando o porque de não agir dessa forma.
No começo da semana outra falta de atenção em classe, na conversa com Nicole comentei que o João não gosta de Português, ele ama ler mas odeia escrever, é uma luta quando tem lição de Português. Ela me falou que a Vivi passou por isso e foi feito um trabalho por um ano e meio com uma psicopedagoga, que fez uma avaliação da parte cognitiva motora, trabalhou também a auto estima, mas ela não podia afirmar se tinha relação com o DM ou se era da Vivi. Outra coisa que me falou foi que a atenção da Vivi varia com a glicemia, a professora percebeu que quando ela está mais dispersa, com dificuldade em se concentrar, terminar as atividades, a glicemia está alta ou baixa, então a Nicole sempre fala pra professora medir quando ela tiver assim, e aí corrige com mel ou insulina. O que estamos fazendo agora é observar suas glicemias quando ele apresenta a falta de atenção e se for o caso, vamos corrigir. Outro fato que estamos levando em consideração é fazer uma avaliação com a Psicopedagoga.
Além de tudo isso na terça-feira o João começou a apresentar glicemias altas com valores de 262 à 440, liguei para o Endocrino e corrigimos com a novorapid, achamos que pode ser a garganta. Nesses últimos dias estou trabalhando, manhã, tarde e noite, por causa das reuniões pedagógicas de começo de ano. O que aconteceu na terça foi que apliquei dose errada de insulina basal, estava tão cansada que não prestei atenção na caneta, ela não zerou. Ontem o dia dele foi um pouco melhor, apresentou medidas altas em torno de 250, mas antes do almoço, antes do jantar e depois que cheguei em casa (21h30), surpresa hipos de 46, 50 e 58 .
Hoje acordou com a glicemia ótima 91, não descartamos a possibilidade de uma infecção, pois ele está resfriado, mas o que está me incomodando um pouco foram as hipos de ontem, acredito que seja de fundo emocional, por não estar com eles nesses dias.
Estou cansada, mas encontro forças pra seguir em frente por um único motivo, tenho o bem maior, o AMOR de minha família e meus amigos.